quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Quem tem pressa come cru (2)

          Quando o Túlio apresentou suas ideias sobre a relação entre as chamadas doenças contemporâneas (câncer, pressão alta, diabetes, etc) fiquei com vontade de contar uma história que ouvi de uma professora de antorpologia há 10 anos. Aí vai:
          
          Um antropólogo passou algum tempo pesquisando uma determinada tribo na Amazônia. A modalidade de pesquisa escolhida para o estudo não era "participativa", assim, seu trabalho limitava-se a observar a rotina da tribo sem realizar questionamentos ou intervenções.
           De todas as coisas observadas, a que mais intrigava o antropólogo estava relacionada a forma como os caçadores capturavam os animais que alimentariam toda a tribo. Todas as vezes que a perseguição ao animal demorava muito tempo, mesmo quando os caçadores estavam bem próximos a sua presa os índios abaixavam-se, fechavam os olhos, ficavam quietos por alguns minutos e só após esse "pequeno ritual" voltavam a perseguir a caça. Muitas vezes esse comportamento acabava permitindo que a caça escapasse.
          Após alguns meses observando esse comportamento o antropólogo não resistiu e comentou com um dos caçadores: "_ Não é uma bobagem perseguir um animal por tanto tempo e, justo na hora em que você está mais próximo de sua captura, abaixar e ficar parado?". Prontamente o índio respondeu "_ Quando passamos muito tempo correndo atrás de um animal, nosso corpo acaba se desprendendo da alma e ela fica para trás. Matar um animal é uma coisa séria e um corpo sem alma jamais deveria fazer algo tão importante, assim, quando paramos estamos apenas esperando nossa alma alcançar nosso corpo.
           Além da alimentação inadequada, na correria do dia a dia, passamos tempo demais nessa sociedade fazendo coisas só com o corpo. Quando corpo e alma estão separados as doenças encontram em nós sua morada.
          Sentar na varanda e ler um bom livro, abraçar demoradamente um amigo, pegar um abono na sexta e ir pescar com o velho, escrever coisas para amigos de verdade (como faço agora), tomar sorvete com a família, dar uma boa aula para alunos espetaculares, jogar volei no Taguapark no final da tarde, mandar um iogurte para aquele amigo mimado, etc. são coisas que ainda faço para esperar a alma chegar e "caçarmos" juntos outra vez. 
          E você, o que anda fazendo para esperar sua alma???
         

Abraços Sociológicos a todos.
          

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