sábado, 9 de abril de 2011

O Caso de Realengo


Bullying, mãe esquizofrênica, isolamento social.
Como justificar a brutalidade cometida por Wellington?

Segunda-feira eu falei de forma breve sobre a discriminação e o preconceito e justamente dias depois aconteceu esse massacre em Realengo.
Foram levantadas muitas hipóteses sobre o que teria levado o Welington a tomar uma atitude tão inimaginável.

Com frieza, Wellington entrou na escola, se preparou e atirou friamente contra os estudantes de sua antiga escola. Depois, como quase sempre acontece nesses casos, Wellington se matou.

Wellington sempre foi um menino a margem da sociedade. Nunca se sentiu dentro de um grupo ou importante para alguém. E sua personalidade introspectiva só piorava cada vez mais a sua situação. Vítima de bullying e filho de uma mãe esquizofrênica além de ser filho adotivo, tudo o encaminhava para uma vida cada vez mais obscura.

É difícil saber o que foi mais determinante para uma ação que mudou a vida de tantas famílias. Creio que foi justamente por ele estar a margem da sociedade que o fez agir dessa forma. Alguém que se vê sozinho perante um mundo vasto, alguém que não recebe o amor que precisa em um mundo tão populoso é muito facilmente levado a crer que ele não é importante para esse mundo e que esse mundo é um inferno injusto.

Por mais que se falem nas crianças indefesas que tiveram a vida impiedosamente apagadas por um simples rapaz, também vejo em Wellington uma vítima da sociedade. Talvez, e haverá quem discorde de mim, Wellington foi muito mais vítima do que qualquer um. É fácil olhar uma ação tão brutal e apontar o dedo para o assassino, mas quem seria Wellington se não levasse o seu "protesto" adiante?

Não estou aqui para defendê-lo ou incentivar atos assim, pelo contrário, só quero dizer que infelizmente no mundo em que vivemos não damos valor as pessoas que estão a nossa volta. Simplesmente as maltratamos e depois só as acusamos de insensíveis, impiedososas e diabólicas. Mas quem realmente foi diabólico foi a nossa sociedade medíocre. Pense bem, Wellington não conseguia ser ouvido, assim como a maioria desses assassinos escolares, e quando você está sozinho em um mundo tão cheio você não vê outra alternativa a não ser chamar a atenção, e infelizmente para Wellington o seu protesto contra essa sociedade foi feito através de balas.

Olhe para o lado. Quantas vezes plantamos a infelicidade no coração das pessoas? São esses pequenos atos de bullying e isolamento que criam pessoas como o Wellington. Você alguma vez já se sentiu sozinho? E se essa solidão o acompanhasse por toda a sua vida?

Nem sempre o verdadeiro vilão é o assassino. Tudo depende de como você vê as coisas, ou não.

P.S.:
Espero que esse texto não seja mal interpretado.
E agora lendo ele, percebo que ele tem uma incrível relação com o texto de Sociologia que está sendo estudado no 1º ano: O Caso da Ponte.

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